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Por quê cães e gatos comem plantas? Entenda os motivos, os riscos e quando se preocupar.

  • Foto do escritor: Jardim do Bicho
    Jardim do Bicho
  • 31 de ago. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 11 de jan.

Entender por quê cães e gatos comem plantas é uma dúvida comum entre tutores e está relacionada a fatores comportamentais, digestivos e ambientais. Saber diferenciar um comportamento natural de uma situação de risco real exige compreender como identificar se uma planta é tóxica para cães e gatos.


Fox paulistinha comendo planta

Embora cães e gatos possam comer plantas, os motivos pelos quais cada um o faz podem diferir em alguns aspectos importantes, em razão de suas naturezas, instintos e necessidades fisiológicas distintas. Esse comportamento é relativamente comum, mas não deve ser considerado inofensivo nem interpretado como algo naturalmente benéfico.


A seguir, explicamos as principais razões pelas quais cães e gatos ingerem plantas, destacando os fatores comportamentais, digestivos e ambientais envolvidos — sempre com foco em prevenção e segurança.


1. Curiosidade e Exploração do ambiente


- Cães: Os cães são curiosos por natureza e frequentemente exploram o ambiente com a boca. Mastigar plantas pode ser uma forma de investigação, especialmente em cães jovens ou em locais novos, onde o comportamento exploratório tende a ser mais intenso.

- Gatos: Os gatos também são curiosos e podem mastigar plantas como forma de interação com o ambiente, sobretudo quando vivem exclusivamente em ambientes internos. A falta de estímulos variados pode aumentar esse tipo de comportamento.


2. Desconforto digestivo e indução de vômito


- Cães: É comum que cães ingiram grama ou outras plantas quando apresentam desconforto gastrointestinal. Esse comportamento pode levar ao vômito, o que muitos tutores interpretam como uma forma de “alívio”. No entanto, o vômito não deve ser entendido como um mecanismo saudável ou terapêutico, pois pode causar irritação adicional da mucosa gástrica e esofágica.

- Gatos: Nos gatos, a ingestão de plantas está associada frequentemente à tentativa de eliminar bolas de pelo (tricobezoares). Ao se lamberem constantemente, os gatos ingerem pelos que se acumulam no trato digestivo, e a mastigação de plantas pode provocar vômito. Ainda assim, trata-se de um mecanismo inespecífico, que pode trazer riscos, especialmente se a planta ingerida for tóxica.


3. Deficiências Nutricionais e dieta inadequada


- Cães: Em alguns casos, cães podem ingerir plantas em busca de fibras ou outros componentes ausentes em uma dieta desequilibrada. Embora sejam onívoros, uma alimentação nutricionalmente adequada reduz significativamente esse comportamento.

- Gatos: Os gatos são carnívoros obrigatórios e têm necessidade limitada de fibras vegetais. A ingestão de plantas, nesse caso, não deve ser interpretada como necessidade nutricional, mas sim como resposta comportamental ou digestiva.


4. Comportamento Instintivo


- Cães: Os ancestrais dos cães, como os lobos, possuíam uma dieta variada, que incluía conteúdo vegetal presente no trato digestivo de suas presas. Esse comportamento instintivo de forrageamento ainda pode se manifestar nos cães domésticos.

- Gatos: Felinos selvagens também ingerem pequenas quantidades de vegetação ocasionalmente. Contudo, no ambiente doméstico, esse comportamento não deve ser romantizado como autorregulação natural, pois o contexto é completamente diferente do ambiente selvagem.


5. Atração por Textura, sabor ou compostos aromáticos


- Cães: Alguns cães podem se interessar por determinadas plantas devido à textura, ao sabor ou simplesmente pela necessidade de mastigar. Na maioria dos casos, esse comportamento está mais relacionado a fatores comportamentais do que a necessidades fisiológicas, e pode ser reduzido com enriquecimento ambiental adequado.


Gato comendo erva de gato

- Gatos: Os gatos, por sua vez, podem demonstrar forte atração por plantas que oferecem estímulos sensoriais específicos, especialmente aromáticos. É o caso da erva-dos-gatos (Nepeta cataria) e de algumas gramíneas cultivadas para consumo felino, amplamente comercializadas e, inclusive, recomendadas por médicos-veterinários.

Essas plantas podem provocar resposta emética leve e autolimitada, como vômito ocasional, que não caracteriza, em regra, toxicidade sistêmica nem risco clínico relevante. Por esse motivo, são consideradas compatíveis com ambientes pet friendly, desde que utilizadas com critério e sem estímulo à ingestão excessiva.

Ainda assim, episódios de vômito intenso, repetido ou acompanhado de outros sinais clínicos devem sempre ser avaliados por um profissional.


6. Tédio, estresse e falta de estímulo



Gato comendo planta tóxica

- Cães: Cães que passam longos períodos sozinhos ou sem atividades adequadas podem mastigar plantas como forma de aliviar o tédio, a ansiedade ou o estresse.

- Gatos: O mesmo ocorre com gatos que não dispõem de enriquecimento ambiental suficiente. A mastigação de plantas pode surgir como comportamento compensatório.




7. Interesse em Plantas Específicas


- Cães: Em geral, os cães não demonstram preferência marcada por espécies específicas, embora possam desenvolver interesse pontual por determinadas plantas.

- Gatos: Os gatos, por outro lado, podem demonstrar forte atração por plantas que contêm substâncias estimulantes, o que pode levá-los a mastigar, esfregar-se ou rolar sobre elas. Esse comportamento, embora comum, não deve ser incentivado sem critérios de segurança.



⚠️ Considerações importantes de segurança


É fundamental monitorar o acesso de cães e gatos às plantas, pois algumas espécies ornamentais comuns apresentam toxicidade sistêmica, podendo afetar órgãos vitais e demandar atendimento veterinário imediato. Além das plantas, outros fatores presentes no ambiente doméstico também representam risco relevante para os pets, como o uso inadequado de pesticidas em jardins, quintais e áreas comuns.

Por outro lado, plantas classificadas como de toxicidade leve, que causam apenas irritação gastrointestinal autolimitada, não são automaticamente incompatíveis com jardins pet friendly, desde que a ingestão não seja incentivada e o ambiente seja corretamente planejado.


A avaliação do risco deve sempre considerar:

  • a espécie vegetal,

  • a quantidade ingerida,

  • a frequência de exposição,

  • e as particularidades de cada animal.



Diferenças entre cães e gatos na ingestão de plantas


- Cães: Como onívoros, os cães apresentam maior predisposição comportamental para ingerir uma variedade de alimentos, incluindo vegetais. Ainda assim, isso não elimina o risco de intoxicação.

- Gatos: Sendo carnívoros obrigatórios, os gatos ingerem plantas principalmente por fatores comportamentais e digestivos, especialmente relacionados à eliminação de bolas de pelo e à atração sensorial.



Conclusão


Cães e gatos podem comer plantas por motivos semelhantes — curiosidade, desconforto digestivo, estresse ou instinto —, mas cada espécie apresenta particularidades importantes.O ponto central é que a ingestão de plantas não deve ser encarada como prática benéfica ou terapêutica, e sim como um comportamento que exige atenção, manejo adequado e prevenção.


O planejamento do ambiente é parte fundamental da prevenção, especialmente quando falamos em paisagismo biofílico aplicado a lares com pets.


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